A Paz é Dourada
A Saga de Euclides da Cunha
Filme de longa metragem, ficção e documentário inspirado na vida e obra do escritor Euclides da Cunha.


Tempo de duração: 80 minutos
Ano de produção: 2006
CPB: 09010130
Ficha Técnica
Título do filme: A Paz é Dourada
Diretor: Noilton Nunes
Produção: Imagine Filmes
Co-produção: Estúdio 260 – Chediak Arte & Comunicação
Sinopse
Era uma vez um menino chamado Euclides que vivia na Fazenda Saudade. Era uma vez o sonho de um filme de ficção inspirado na vida e obra desse menino que cresceu poeta, militar, engenheiro, jornalista e escritor: Euclides da Cunha, autor de “Os Sertões”, épico sobre a guerra de Canudos que aconteceu no interior da Bahia, no final do Século XIX.
Em 1904, à convite do Barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Euclides parte para a Amazônia, chefiando uma expedição com o objetivo de evitar uma guerra com o Peru, por causa da borracha.
O filme destaca Euclides como um mensageiro da Paz e do entendimento entre os povos.
Apresentação

“Não sei de mais elevada política do que essa; da aproximação dos espíritos na América Latina.
No dia em que nos conhecermos bem e as nossas inteligências se entrelaçarem, não haverá surpresas políticas que nos precipitem na guerra, no obscurantismo, na miséria.
Pensamos demasiadamente em inglês, francês ou alemão.
Vivemos em pleno colonato espiritual. As nossas elites estão cegas aos quadros reais das nossas vidas.”
Euclides da Cunha
O longa metragem A PAZ É DOURADA é um filme inspirado na vida e obra do escritor Euclides da Cunha, autor de Os Sertões, livro sobre a guerra de Canudos ocorrida no final do século XIX no interior da Bahia, que se tornou um clássico da literatura em português.
O filme destaca os pensamentos pacifistas e ecológicos de Euclides com proposta clara de participação positiva no movimento internacional pela Cultura da Paz e do entendimento entre os povos.
Iniciado em 1986 com as primeiras cenas rodadas em 35mm na cidade de São José do Rio Pardo, no interior de São Paulo, onde Euclides escreveu Os Sertões, o filme A PAZ É DOURADA somente pode ser concluído em 2007, através da mudança na proposta do roteiro, concebido inicialmente para ser um filme 100% ficção.
O próprio processo de sua realização foi então incorporado ao filme tornando-se um dos fios condutores da narrativa.
Euclides, consagrado pelo sucesso de Os Sertões, foi convidado pelo Barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, para chefiar uma expedição ao Alto Rio Purus, no Acre com o objetivo de demarcar nossas fronteiras amazônicas e evitar uma guerra com o Peru por causa da borracha.
As aventuras no ‘inferno verde’ proporcionaram a Euclides a antevisão de um novo livro: ‘Um Paraíso Perdido’, que ele não conseguiu concluir. No dia 15 de agosto de 1909 morreu num duelo com Dilermando, amante de sua mulher Ana.



EUCLIDES, UM VISIONÁRIO ou
QUE FILME É ESSE? A PAZ É DOURADA
Luiz Rosemberg Filho / Rô – Cineasta
e Sindoval Aguiar – Escritor
Do país retrógrado ao Brasil “moderno” poucas foram as modificações transformadoras no universo do saber. Basta que se veja a situação do cinema brasileiro sem espaço algum em nosso próprio país. Aliás, um espaço ocupado pelo lixo de Hollywood. Isso para nos limitarmos ao cinema numa possível construção de uma ideia de nação. Ousaríamos dizer que na cultura o Brasil continua sendo o mais eficiente porta-voz do atraso. Segue sendo inadmissível originalidade, ousadia ou revolta.
Euclides da Cunha lá no passado percebeu as origens do nosso atraso e saiu em busca de uma outra história menos oficial. Mas o instante da palavra-escrita era um. Hoje, pensada e filmada por Noilton Nunes, é outra. E o vasto mundo das correspondências ou afinidades possíveis muitas vezes torna-se enroscado, como um cipó.
Ora, o cinema é um espaço do olhar e do pensamento moderno sem abrir mão do tempo e da história numa espécie de atualização e reflexão sobre o saber.
E tanto a reflexão de Euclides como a de Noilton se afinam na longa odisséia dos “Sertôes” para “Um Paraíso Perdido” onde ambos não conseguem chegar por motivos diferentes .
O longa “A Paz é Dourada” é uma ponte inconclusa de aprendizagem de Brasil. Noilton queria ter feito um outro filme. Mas fez o filme possível.
E é daí que devemos partir: da realidade das condições de produção e do sonho de dois visionários. E mais, visionários somos todos nós personagens de nossas muitas tragédias. E sobreviventes. Somos todos Euclides.
Noilton, o diretor, entrelaça-se bastante com o filme que realiza. Como parte de sua própria vida. Anos e anos de peregrinação. O que dá vida ao filme sobre Euclides. Tornando-o um filme bem brasileiro. Produzido na precariedade de nosso cinema e de nosso Brasil em seus aspectos artísticos e culturais. O que acaba fazendo do filme um patrimônio. E de seu diretor, um personagem.
Esperamos que este filme importante não arrisque a sua vida, submetendo-se a uma sobrevida: ser lançado com uma única cópia e em horário inviável de exibição. E assim vão matando o nosso cinema e o público do filme nacional.
Hollywood que domina o “nosso” mercado lança “um filme” no país de origem com mais de 15 mil cópias; repetindo em nosso país o mesmo tipo de lançamento, cobrindo todos os nossos cinemas. E desse modo nossos filmes perdem a vida no nascedouro; abortados.
A obra máxima de Euclides, “Os Sertões”, confunde-se com a extensão de sua vida, por sua idealização de Brasil, revestida de realidade, sonhos e projeções.
O de um universo bem trágico. Muito comum em homens excepcionais como Euclides da Cunha. Desvestido dos conceitos comuns da dialética. Euclides não andava atrás de sínteses. Buscava os contraditórios. Teses e antíteses, uma construção, acompanhada de um visionarismo incapaz de se negar. E, definido em dos planos finais do filme, o de um simbolismo e projeção que o fez arriscar, empenhando todos os limites, para atendê-lo. O que somente a poesia pode pretender e definir projetando toda felicidade na construção do mundo. No caso, o mundo de Euclides.
Versos que começam assim:
“Eu quero à doce luz dos vespertinos pálidos,
Lançar-me, apaixonado, entre as sombras das matas…”.
E que terminam assim:
“E minh’alma cansada ao peso atroz das mágoas,
Silente adormecer no colo da solidão”.
E essa dialética de Euclides é o empenho e o desempenho de sua própria vida de que o filme nos dá inteira dimensão e sem nenhum regulamento.
O que lhe dá a dimensão de uma tragédia! E a vida de Euclides não seria “A Terra”, “O Homem” e “A Luta”? Como a narração de um romance girando em torno de um herói? Seria a própria vida de Euclides confundindo-se com suas projeções; as de um mundo sonhado e as de uma realidade tão precária que chega a nos confundir. Como a realidade de nosso tempo que nunca conseguimos definir.
Noilton não fez somente um filme sobre Euclides da Cunha. Viveu Euclides.
Como viveu o cinema, para sofrer e sentir, o fazer deste seu filme. Mais brasileiro, impossível. De qualquer forma o mundo avança. E ninguém pode detê-lo. E Euclides soube narrar a epopéia de seu tempo. Como profissional e visionário. E sua vida sintetizada no filme gestou o que nos tem faltado no cinema brasileiro; fundamentos para nossa memória. Artística, histórica e cultural.
O filme sobre Euclides da Cunha acaba nos dando uma precisa dimensão do nosso tempo, o de ser impossível viver e gostar deste país sem qualquer noção de sua história; e projetando, como no poema final do filme, um mundo melhor, além da angústia, da falta de perspectivas e o desespero de uma solidão desprotegida. Esta nossa realidade, a realidade do cinema brasileiro, acabou sendo parte da vida deste filme de Noilton Nunes. Como foi uma totalidade na vida de Euclides. Nunca um conformista, um oportunista, um burocrata submisso. Insurgindo contra a escravidão e defendento a República, já fundava uma realidade subjetiva, manifestando em sua vida, em todo o seu trabalho,
na literatura, na imprensa, na poesia, os movimentos de uma outra cultura como realidade objetiva para outro Brasil. Que Euclides visionário projeta e que o cinema brasileiro não pode esquecer: o que Noilton Nunes tematiza em seu filme.
Noilton, em seu longa metragem idealizou um sonho maior. Mas se deparou com muitas impossibilidades, incompreensões e a “imbecilidade triunfante” da burocracia estéril. Fez o filme possível. Inacabado, incompleto, sujo, trágico e ainda assim obcecado pelo sonho de um cinema-Brasil Euclidiano. Ou seja, um Brasil para todos. Não confundir com o baixo uso publicitário que diz “Brasil um país de todos”, que não é verdade. Ainda não se chegou a isso. O que convenhamos é uma pena.
Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2007.
Elenco
| Ator Principal | Breno Moroni |
| Atriz Principal | Katja Alemann |
| Ator Coadjuvante | Quim Negro e Evandro Teixeira |
| Atriz Coadjuvante | Dilma Lóes |
| Participação especial | Grande Otelo |
Ficha Técnica
| Roteiro | Noilton Nunes |
| Produção | Maria das Graças Sena Sérgio Péo Quelita Moreno Luiz Fernando Sampaio Jesus Chediak Luiz Antonio Chacra |
| Narração | Leila Richers Ronaldo Rosas |
| Fotografia | Nélio Ferreira Pedro Sol Noilton Nunes |
| Montagem | Daniel Bona Pedro Sol Renato Vallone |
| Som | Daniel Bona Renato Vallone |
| Direção de Arte | Régis Monteiro |
| Cenografia | Paulo Chada |
| Figurino | Jurema Moisés |
| Animação | |
| Trilha sonora | Noilton Nunes |
| Música original | David Tygel |
| Assessoria de Imprensa | Andrea Barreto |
Apoio
Centro Técnico Audiovisual do Ministério da Cultura
Lei do Audiovisual – Ancine – MINC
Bradesco – Leite de Rosas
Empresa produtora
IMAGINE ARTE CULTURA E PAZ LTDA – IMAGINE FILMES
Endereço: Rua Dona Mariana 133, casa 4 – Botafogo
Rio de Janeiro RJ
Cep. 22290-020
Celular: 21 – 98899 6162
E-mail: nunesnoilton@gmail.com
Contato do Diretor
Nome: NOILTON NUNES
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Rio de Janeiro, RJ
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