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Idealização do projeto

O projeto Caravanas Euclidianas foi idealizado em 2009 na UNIRIO por ocasião do centenário da morte de Euclides da Cunha, um escritor fluminense, nascido em Cantagalo.

Professores, Cineastas e Produtores Culturais do Rio de Janeiro propuseram à Secretaria de Educação Continuada do Ministério da Educação um projeto que trouxesse para as escolas e universidades a obra de Euclides da Cunha, tendo em vista tratar-se de um autor que produziu um clássico para a leitura do Brasil, Os Sertões. O projeto desde então vem sendo levado em escolas e centros culturais em municípios do Estado do Rio de Janeiro.

O propósito consiste em debater temas que continuam atuais no processo de construção do Brasil. Euclides da Cunha realizou o notável feito de ser um pesquisador arrojado para a época que, além disso, escrevia com um estilo singular, sendo considerado um dos maiores escritores brasileiros. Ciência e Literatura se mesclaram em suas obras, especialmente no livro Os Sertões.

Este livro, lançado em 1902, foi um libelo contra as atitudes autoritárias do Exército republicano que reprimiu formas singulares de movimentos sociais e formas de sustentabilidade como o que representou o Arraial de Canudos, comandando pelo beato e rábula criminalista, Antonio Conselheiro.

Euclides da Cunha era um engenheiro militar e um cientista, pesquisador notável que percorreu pela primeira vez muitos dos locais até então inóspitos e distantes da capital da República, trazendo uma descrição única e precisa da “Terra”, do “Homem” e da “Luta” do Povo Brasileiro na ocasião. As descrições do escritor foram fundamentais para um novo pensamento sobre o Brasil e os brasileiros.

Caravanas atualizando os debates de Euclides

Desde o início do projeto, as Caravanas Euclidianas percorreram dezenas de Escolas e Centros Culturais por todo o Estado do Rio de Janeiro, atualizando os debates propostos por Euclides da Cunha no livro Os Sertões e indagando: que terra é esta que habitamos? como se encontram nossos territórios? quais os homens, mulheres, crianças que encontramos nestes territórios? quais as singularidades das pessoas que fazem a diferença nos territórios que habitamos? quais as lutas e movimentos possíveis no Brasil contemporâneo?

Anos depois, com a emenda parlamentar de Jandira Feghali, foi possível a retomada do projeto, com o protagonismo da UFRJ, o Lab Cultura Viva.

No novo formato, estamos propondo um percurso a partir do texto euclidiano que se inicia com o lançamento na Academia Brasileira de Letras, em 27 de março; passaremos pela UNIRIO, numa aula inaugural no Programa de Pós-Graduação em Memória Social, debatendo o tema da Literatura e da Memória: o que significa um “clássico nacional”? por que razões um livro permanece vivo e atual, fazendo sentido e respondendo a questões do presente?

Passaremos por Paty do Alferes, Maricá, Caxias em Universidades, Centros Culturais e Escolas, debatendo e articulando questões formuladas no início do século XX e que permanecem atuais ainda hoje.

Atualidade de Euclides da Cunha

Euclides da Cunha trouxe o tema da Terra, focalizando a Geografia, o clima, as mudanças provocadas pelos “arautos do progresso” que, segundo ele, fariam de terras férteis verdadeiros desertos. O escritor foi um precursor do debate sobre as mudanças provocadas pelo homem sobre o meio ambiente, antevendo o que hoje debatemos como “mudanças climáticas”.

O escritor valorizou os seres humanos em suas culturas próprias e integrados em seus territórios. Ele denunciou o excesso de estrangeirismos que faziam dos brasileiros seres desterrados em seus próprios habitats. O escritor fortaleceu os movimentos sociais e as singularidades de cada região do Brasil.

Por estes e outros motivos, o escritor que nasceu em Cantagalo e morreu no Rio de Janeiro em 1909 continua atual e trazendo temas contundentes para o Brasil de hoje e do futuro.

Material para estudantes e professores

Segue um material para estudantes e professores para estimular a leitura e o debate prévios das Oficinas, Mesas Redondas e Atividades Culturais propostas pelas Caravanas. 

Coordenadores e produção

Os coordenadores são Noilton Nunes; Regina Abreu; Pedro Sol.

A produção é da Imagine Filmes.